Capelão PMPB

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XXXIV – DOMINGO DO TEMPO COMUM – C – Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo Lc 23, 35-43

Caros irmãos e irmãs,
Celebramos neste último domingo do tempo litúrgico a solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo, estabelecida no calendário litúrgico pelo Papa Pio XI, no ano de 1925, como resposta aos regimes políticos ateus e totalitários que negavam os diretos de Deus e da Igreja. Esta solenidade nasceu com o objetivo de responder às correntes que se opunham aos valores cristãos. Cristo é o rei do universo e deve reinar no mundo e no coração dos homens. Seu reino é um reino de justiça, de paz e de amor.

As origens do reconhecimento do reinado de Cristo se encontram no próprio evangelho. Cristo não reina de acordo com categorias humanas e ele mesmo esclarece que o seu reinado não é deste mundo. A Cristo pertence o Reino de Deus. Em um diálogo com Jesus diante do tribunal, Pilatos pergunta: “Tu és Rei?”. Diante deste questionamento Jesus responde: “Tu o dizes, eu sou rei. Para isso nasci e vim ao mundo, para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta minha voz” (Jo 18,37).

Quando alguém era condenado, no alto da cruz fixavam uma inscrição declarando o crime cometido. No caminho, essa inscrição era levada, de maneira visível, por um soldado, ou o condenado o trazia pendurada ao pescoço. Jesus recebeu a seguinte inscrição: ‘Este é o Rei dos Judeus”. Esta inscrição foi redigida em três línguas: grego, latim e hebraico. Hebraico, por ser a língua dos judeus. Latim, o idioma oficial do Império Romano. Grego, porque era popular, muito conhecido e falado em toda a região.
ao celebrar a solenidade de Cristo, Rei do Universo, tudo isso é lembrado pela Igreja, que não pensa em cetros e coroas, mas no profundo sentido espiritual e teológico que tem o Reino de Cristo, segundo a palavra que Ele mesmo disse ao governador romano: “Meu reino não é deste mundo” (Jo 18,36).

Na leitura do evangelho que a Igreja nos convida a refletir neste dia, temos a figura do bom ladrão que a tradição identifica como São Dimas. Ele se encontra também na cruz, ao lado de Jesus, presenciando a sua morte e testemunhando todos os acontecimentos. Na verdade, junto a Jesus estavam dois malfeitores, um se converte e se salva, sabe aproveitar a companhia de Jesus, o outro, não. O mau ladrão, do mesmo modo, estava junto de Jesus na cruz, no entanto, não soube aproveitar este momento. Já o bom ladrão, ao contrário, reconhece a sua inocência e faz uma alusão à sua realeza ao dirigir a Ele estas palavras: “Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado” (v. 42). Ele faz isto em um espírito de fé e obtém do Cristo uma resposta: “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso” (v. 43).

O bom ladrão recebe o paraíso por causa desta fé, como muitos outros personagens da Sagrada Escritura, que também receberam a cura pela fé (cf. Lc 18,42). Somente o bom ladrão atinge o mistério profundo de Jesus. Precisamente um bandido é o único que entende algo do que está acontecendo. Ele reprova a atitude do seu companheiro, e reconhece que o Cristo foi condenado injustamente, para finalmente lhe suplicar com humildade: “Jesus, lembra-te de mim quando chegares em teu reino” (v. 42).
E Jesus, que até então estava calado e não havia respondido aos que zombavam dele, abriu os lábios para falar ao bom ladrão: “Em verdade vos digo: hoje mesmo estarás comigo no paraíso” (v. 43). Assim foi ele o primeiro beneficiário da salvação trazida ao homem pela cruz de Cristo. Até o momento de sua morte vemos o que foi a constante da vida do Cristo Senhor: sua preferência pelos pecadores, como bem ressalta os evangelhos: Ele acolhe os pecadores (Lc 15,2). A promessa que o Senhor faz ao bom ladrão revela esta vitória e é garantia de nossa esperança cristã. O “hoje estarás comigo” é o “hoje” perene da salvação, o hoje que inicia a escatologia, isto é, o presente e o futuro da nova criação e da nova humanidade dos redimidos. Uma vez vencida a morte, esperamos estar com o Senhor no paraíso, isto é, na vida eterna que a cruz gloriosa de Cristo, Rei e Senhor da vida, anuncia.

O título que para muitos foi motivo de escândalo e de injúrias, será a salvação do bom ladrão, em quem a fé lançou raízes, quando mais oculta parecia a divindade do Salvador. Com isto percebemos também o valor da oração. Na prece curta do bom ladrão ele pede apenas para que Cristo possa lembrar dele, mas ouve a resposta: “Hoje estarás comigo no Paraíso” (v. 43). A vida consiste em habitar com Jesus Cristo, e onde está Jesus Cristo ali está o Reino. Possamos dizer como disse na cruz o bom ladrão: “Jesus, lembra-te de mim, quando vieres com teu reino”(Lc 23,42).

Chama ainda a nossa atenção a frase: “Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso”. Foi decisivo este “comigo”, pronunciado por Jesus. Observamos que o bom ladrão está na cruz “como” Jesus, mas, sobretudo, está na cruz “com” Jesus. E, contrariamente ao outro malfeitor e a todos os demais que o ridicularizam, não pede a Jesus que desça da cruz, nem que o faça descer, mas, ao contrário, diz: “Lembra-te de mim, quando entrares no teu reino” (v. 42).

O bom ladrão vê Jesus na cruz desfigurado, irreconhecível e, no entanto, pela fé, o vê como a um rei e deposita nele a sua confiança. Ele acredita naquilo que está escrito no letreiro acima da cabeça de Jesus: “Rei dos judeus”. Ele crê e confia. Por isso, já se encontra no “hoje” de Deus, no Paraíso, porque o Paraíso consiste nisto: estar com Jesus, estar com Deus.
Nesta passagem, observa-se que o futuro é antecipado para o presente, quando Jesus promete ao bom ladrão: “Hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23,43). A acusação: “Este é o Rei dos Judeus”, escrita numa tábua pregada no alto da cruz, torna-se assim a proclamação da verdade, o que deve sempre constituir para nós um convite a recordar de que Rei somos servos, sobre qual trono ele foi elevado e como foi Ele fiel até ao fim, para vencer o pecado e a morte com a força da misericórdia divina.

A exemplo do bom ladrão, todos nós, que carregamos nossas cruzes, esperamos um dia ouvir as palavras do Rei, que tem a cruz como trono: “Em verdade vos digo, hoje mesmo estarás comigo no meu Reino” (v. 43). Nesta perspectiva, a pergunta importante que devemos fazer na solenidade de Cristo Rei é se Ele reina dentro de mim e se a sua realeza é reconhecida e vivida por mim. E nós, que cremos que Jesus retornará como Rei da Glória e que o seu reino não terá fim, peçamos a ele que nos faça repetir como o bom ladrão no alto da cruz: “Jesus, lembra-te de mim, quando vieres com teu reino” (v. 42). Esta deve ser a nossa oração quotidiana, para que o Cristo Senhor venha reinar em cada um de nós. Que nesta Solenidade possamos olhar para Cristo e reconhecê-lo em sua realeza e dizer: “Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado” (cf. Lc 23, 42).

Peçamos também a Virgem Maria, a quem Deus associou de modo singular à realeza do seu Filho, que nos conceda acolhê-lo como Senhor da nossa vida e a ela, também invocada pelo povo cristão como Rainha e advogada nossa, que possa interceder sempre por nós, para que possamos seguir cotidianamente Jesus, o nosso Rei, como ela fez, e que possamos todos os dias pedir a Ele: “Venha a nós o vosso Reino”. Assim seja.

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